Tablet x Instrumentos: os benefícios da música para as crianças

Na correria do dia a dia, é comum que os pais adotem recursos para entreter os filhos enquanto se dedicam às tarefas de casa ou trabalho.

Oferecem às crianças tablets ou smartphones, por exemplo. Entretanto, o neuropsicólogo espanhol Álvaro Bilbao recomenda: “se querem ter filhos (mais) inteligentes, tirem o iPad e deem a eles um instrumento musical”.

Para alertar sobre o mau uso das tecnologias na criação dos filhos, Álvaro levanta dados sobre o transtorno do déficit de atenção (TDA). Dos anos 1970 até 2010, o número de crianças diagnosticadas nos Estados Unidos foi multiplicado por sete: “os especialistas mais alarmistas avaliam que até 4% da população infantil pode sofrer esse transtorno, e a verdade é que cerca de 10% das crianças na Espanha tomarão remédios para tratar o TDA em algum momento de sua vida escolar”, completa.
O neuropsicólogo Álvaro Bilbao recomenda: “se querem ter filhos (mais) inteligentes, tirem o iPad e deem a eles um instrumento musical”.

Os estudos do neuropsicólogo estão compilados no livro O Cérebro da Criança Explicado aos Pais. Em artigo publicado no El Pais, ele observa:

“Desde os anos oitenta sabemos que mais tempo na frente da TV se traduz em menos paciência e autocontrole, pior desenvolvimento maturativo da atenção e maiores taxas de fracasso escolar. A razão é muito simples – quando a criança brinca, desenha ou interage com seus pais ou irmãos, o cérebro precisa voltar a atenção voluntariamente para aqueles estímulos ou pessoas com que interage. Ao se sentar na frente da TV, é a tela que captura a atenção da criança e faz todo o trabalho.”

De acordo com Álvaro, ao oferecer recursos tecnológicos às crianças como forma de distração, forma-se uma geração de crianças menos pacientes, menos atentas e com menos capacidade de se esforçar. Assim, são levadas aos médicos, que dão rapidamente um diagnóstico, nem sempre adequado.

O transtorno do déficit de atenção é um estigma de uma sociedade que anda depressa demais para educar devagar, como defende o especialista:

“Hoje os celulares são usados para distrair a criança quando tem que se concentrar para terminar a papinha. Para entreter a criança quando tem que esperar no pediatra. Para despistar a criança quando tem que se esforçar para vestir o pijama no final do dia. Com esse tipo de estratégia parece lógico que o cérebro aprenda que a cada vez que tiver que se esforçar, que se concentrar ou esperar quieto... terá permissão para se distrair.”

Vale ressaltar que a Academia Americana de Pediatria (AAP), um dos órgãos referência mundial no campo da saúde infantil, orienta que o contato com qualquer tipo de tela não é recomendável a crianças menores de 18 meses.
Academia Americana de Pediatria (AAP), não recomenda qualquer tipo de tela a crianças menores de 18 meses.

Por isso, Bilbao recomenda que, ao invés de dar aos filhos um tablet, os pais ofereçam um instrumento musical - este pode ser um caminho. Um estudo da Universidade de Toronto, publicado na revista Psychological Science, relacionou o desenvolvimento cognitivo com a aprendizagem de música. Durante um ano, três grupos de crianças de seis anos estudaram, separadamente, canto, piano e expressão dramática. Os que aprenderam música revelaram padrões de inteligência maiores no final.

Um outro estudo, da Northwestern University, nos Estados Unidos, mostra também que ensinar música para crianças aumenta a capacidade de comunicação, atenção, memória, leitura e o desempenho acadêmico. A neurocientista Nina Kraus é líder da pesquisa e acompanha grupos de crianças que fazem parte do Harmony Project, iniciativa sem fins lucrativos que oferece, gratuitamente, instrumentos e instrução para jovens que vivem em áreas de baixa renda.

A introdução de crianças à música contribui no desenvolvimento cognitivo, promovendo melhora na escrita, fala, coordenação motora, etc.

A pesquisa estudou uma turma de 60 alunos, de seis a nove anos de idade, em que apenas 29 tinham contato com a música. Segundo ela, alguns dos principais elementos como o timbre, o tempo e o tom, foram fundamentais para que essas crianças desenvolvessem, mais rápido que as outras, habilidades de leitura, interpretação de texto e comunicação.

“Os alunos que estudam música têm muitos benefícios em relação ao desenvolvimento da linguagem, da fala e da memória de trabalho auditiva”, explicou Kraus ao site Porvir.

Fonte: Catraquinha